sábado, 2 de novembro de 2013

Começo de tudo

Há mais ou menos 1 ano e 3 meses, comecei a me interessar por abelhas. Especialmente as sem ferrão, por questões “logísticas”... ou ferroadísticas, como preferirem.
Estava no ônibus, voltando pra casa da faculdade e um desses vendedores que aparecem nos ônibus estava vendendo “mel de eucalipto”. Só faltou prometer vida eterna pra quem o tomasse. Já conhecia mel de eucalipto, mas fiquei com vontade de comprar. Comprei e pela primeira vez o tal do mel me chamou atenção.
Comecei a pensar nas abelhas... e não sei como, acabei me lembrando que pessoas “armam iscas” pra capturar abelhas. Porém, moro em um terreno pequeno para ter abelhas com ferrão (Apis mellifera), daí o problema logístico que falei: ter abelhas com ferrão poderia prejudicar vizinhos e parentes. Me veio à cabeça, não sei como, a lembrança de que existem também abelhas que não tem ferrão e que essas, ao contrário da Apis, são nativas do Brasil. Fiquei curioso pra saber se iscas também funcionavam com as nossas...
Cheguei, fui fuçar no google e descobri, antes de tudo, que o que chamava de “jataí”, na verdade se chama “arapuá” (ou Trigona spinipes). Aquelas abelhas pretas que adoram se enrolar em cabelos alheios... mas também vi que temos como capturar abelhas nas “iscas” sim. Tudo que precisava era.... “cerume”! O que raios é cerume e onde eu encontro isso?*
Procurei mais e vi uma sugestão de que cera de Apis e própolis de garganta (sim, desses vendidos em farmácia) também funcionavam para atrair enxames. O própolis foi fácil conseguir, o problema foi a cera... perto (pros padrões de onde moro) de casa, a uns 3,5 km, tem uma casa agropecuária, então fui ver lá. Obviamente, não ia achar de primeira e nem tão perto de casa alguma coisa que queria. Tive que ir em outra loja bem mais longe, mas achei a cera.
Depois foi fácil.
  1. Pinguei o própolis de garganta em uma garrafa pet de 1,5 l. Esperei o álcool do própolis evaporar;
  2. Embalei a garrafa em jornal, o suficiente para o interior da garrafa ficar escuro mesmo quando eu olhasse embaixo de sol do meio dia e embalei essa garrafa em um plástico, com objetivo de proteger o jornal de eventuais chuvas;
  3. Fiz um buraco na tampa da garrafa, com 1 cm de diâmetro mais ou menos;
  4.  Só faltava a cera. Não sabia como manipular, então acabei escolhendo primeiro o método português, obviamente: coloquei a cera em um vidro, o vidro em uma panela com água e a panela no fogo. A cera começou a derreter conforme a água esquentava, mas quando tirei o vidro da água, deu o maior trabalho pra pegar a cera de dentro do pote para passar na garrafa e acabou ficando a maior parte da cera lá no pote.**
  5. Depois de colocar a cera em volta do buraco da tampa da garrafa e no gargalo dela, “instalei” a isca. Ou seja, coloquei em um lugar onde não batesse sol e não ventasse muito.
Depois de uns 20 dias de extrema ansiedade, olhando as iscas quase de hora em hora, vi umas jataizinhas rondando a entrada da isca... e lá elas ficaram. Meu primeiro enxame tinha chegou e comecei a me interessar por esses bichos mais e mais.
Pretendo contar o pouco que sei sobre elas, resumir artigos interessantes que leio e falar de outros bichos também. Sou biólogo então nem sempre o que escrever aqui vai uma relevância prática clara... e além disso, o interesse pelas abelhas me levou a outros bichos “sociais”, como vespas e formigas. Pretendo falar deles também, quando achar coisas legais.

*= Cerume é uma mistura de cera produzida pelas abelhas, com resinas vegetais (de várias espécies de plantas diferentes). As abelhas com ferrão, diferente das sem, usam cera pura no ninho. Um amigo meu do facebook me sugeriu um site que vendia cerume de jataí, e nos outros enxames que capturei, usei esse cerume. Mas acho que não se vende mais cerume por lá.


**= É muito melhor colocar a cera de Apis direto na água para amolecer e assim poder modelar. A cera não se mistura com água, então vai ficar boiando e o desperdício vai ser muito menor que no meu método lusitano inicial.


Vocês vão ver que o plástico está roído. As abelhas decidiram que ele estava incomodando a rotina delas e resolveram o problema facilmente. O plástico era bem vagabundo, então roeram facilmente. Fiquei preocupado se faria mal a elas, mas não fez. Não garanto que nenhuma morreu de indigestão... mas o enxame como um todo está ótimo.

4 comentários:

  1. Amigo Thiago,parabéns pelo blog!

    Realmente a meliponicultura só tem a ganhar com novos e interessantes espaços como esse...

    Abraço!
    Paulo Romero.
    Meliponário Braz.

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  2. Muito obrigado, Paulo Romero!!

    Abraços,
    Thiago

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  3. oque eu faco quando as abelhas estiver brigando umas com as outras

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    1. Separa senão vai sobrar ferroada pra todo mundo!

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